sábado, 15 de dezembro de 2012

Um grande presente para os fãs de Flaubert: o prefácio de “O idiota da família”


Gustave Flaubert nasceu em 12 de dezembro de 1821. Um gênio que daria origem à Madame Bovary, mas que quando criança foi considerado literalmente um idiota. Jean-Paul Sartre era obcecado por ele. Tanto que dedicou anos da sua vida a escrever a biografia definitiva de Flaubert. Em O idiota da família, Sartre proporciona ao leitor um livro de cerca de 3.000 páginas, dividido em três tomos, que é lido como uma grande aventura. Até hoje inédito em língua portuguesa, O idiota da família finalmente poderá chegar às mãos dos brasileiros em nossa língua mater. A L&PM Editores já recebeu da tradutora Júlia da Rosa Simões as primeiras mil páginas do volume 1 que será lançado em meados de 2013. E como hoje é aniversário de Flaubert, aqui vai um presente a todos aqueles que aguardam ansiosamente a chegada deste que é considerado um projeto soberbo, o livro que encerra a obra sartriana. Com vocês, o prefácio de O idiota da família finalmente em português:

PREFÁCIO

O idiota da família é a continuação de Questões de método. Seu tema: o que podemos saber de um homem, hoje em dia? Pareceu-me que só poderíamos responder a essa pergunta através do estudo de um caso concreto: o que sabemos – por exemplo – de Gustave Flaubert? Isso significa totalizar as informações de que dispomos sobre ele. Nada prova, de início, que essa totalização seja possível e que a verdade de uma pessoa não seja plural; os dados são muito diferentes por natureza: ele nasceu em dezembro de 1821, em Rouen ­– eis um; ele escreve à amante, muito tempo depois: “A Arte me espanta” – eis outro. O primeiro é um fato objetivo e social, confirmado por documentos oficiais; o segundo, também objetivo quando nos atemos à coisa dita, por seu significado remete a um sentimento vivido, e nada decidiremos sobre o sentido e o alcance desse sentimento se antes não tivermos estabelecido se Gustave é sincero, em geral e, particularmente, nesta circunstância. Não corremos o risco de chegar a camadas de significados heterogêneos e irredutíveis? Este livro tenta provar que a irredutibilidade é apenas aparente e que cada informação colocada em seu devido lugar torna-se a parte de um todo que continua a fazer-se e, ao mesmo tempo, revela sua profunda homogeneidade com todas as outras.

Porque um homem nunca é um indivíduo; seria melhor chamá-lo de universal singular: totalizado e, por isso mesmo, universalizado por sua época, ele a retotaliza ao reproduzir-se nela como singularidade. Universal pela universalidade singular da história humana, singular pela singularidade universalizante de seus projetos, ele exige ser estudado simultaneamente pelas duas pontas. Precisaremos encontrar um método apropriado. Apresentei os princípios de um em 1958 e não repetirei o que disse então: prefiro mostrar, cada vez que necessário, como ele se faz no próprio trabalho para obedecer às exigências de seu objeto.

Uma última palavra: por que Flaubert? Por três motivos. O primeiro, bastante pessoal, há muito tempo deixou de valer, apesar de estar na origem dessa escolha: em 1943, ao reler sua Correspondência na má edição Charpentier, tive a sensação de ter contas a ajustar com ele e que devia, com vistas a isso, conhecê-lo melhor. Desde então, minha antipatia inicial transformou-se em empatia, única atitude exigida para compreender. Por outro lado, ele se objetivou em seus livros. Qualquer pessoa dirá: “Gustave Flaubert é o autor de Madame Bovary”. Qual, então, a relação do homem com a obra? Eu nunca o disse até agora. Nem ninguém, que eu saiba. Veremos que é dupla: Madame Bovary é derrota e vitória; o homem que se manifesta na derrota não é o mesmo exigido para sua vitória; será preciso entender o que isso significa. Por fim, suas primeiras obras e sua correspondência (treze volumes publicados) manifestam-se, veremos, como a confidência mais estranha, a mais facilmente decifrável: como se ouvíssemos um neurótico falando “ao acaso” no divã do psicanalista. Acreditei que seria permitido, para esta difícil demonstração, escolher um tema fácil, que se revela facilmente e sem o saber. Acrescento que Flaubert, criador do romance “moderno”, está na interseção de todos os nossos problemas literários de hoje.

Agora, é preciso começar. Como? Pelo quê? Pouco importa: penetramos em um morto da maneira que quisermos. O essencial é partir de um problema. Daquele que escolhi, geralmente pouco se fala. Leiamos, no entanto, essa passagem de uma carta à srta. Leroyer de Chantepie: “É de tanto trabalhar que consigo calar minha melancolia natural. Mas o velho fundo muitas vezes reaparece, o velho fundo que ninguém conhece, a chaga profunda sempre escondida”[1]. O que isso quer dizer? Uma chaga pode ser natural? Seja como for, Flaubert nos remete à sua proto-história. O que se precisa tentar conhecer é a origem dessa chaga “sempre escondida” e que, em todo caso, tem origem em sua primeira infância. Este não será, acredito, um mau começo.

[1]Croisset, 6 de outubro de 1864.

Lançamento de peso: os três volumes de
"O idiota da família" na edição francesa.
O primeiro volume chega em meados de 2013 pela L&PM

Fonte: BLOG DA L&PM

Chamada para publicação: Revista Litteris | UFF


Litteris. Revista da Universidade Federal Fluminense.

Publica artigos de tema livre relacionados a estudos literários, linguísticos, história, antropologia, filosofia, geografia, artes, estudos culturais e interdisciplinares.

Prazo para próxima edição (mar./2013): até 30/3/2013

Informações, acesse o site da revista, ou consulte, aqui, as normas para publicação.

VII CONGRESSO INTERNACIONAL ROA BASTOS: ESTÉTICAS MIGRANTES | UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARIA (De 02 a 05 de abril de 2013)



Segunda circular

Mudança de datas

O Congresso Internacional Roa Bastos: Estéticas Migrantes será realizado de 02 a 05 de abril de 2013. As novas datas foram marcadas por causa do adiamento do início do semestre letivo 2013-1 na Universidade Federal de Santa Catarina, em decorrência da greve 2012.
Por essa razão as inscrições com apresentação de trabalho e de ouvinte serão prorrogadas, conforme as seguintes datas:

- Até 28 de fevereiro: envio do resumo da comunicação proposta
- Dia 10 de março: envio do aceite
- Até 31 de março: inscrição como ouvinte

Todas as inscrições são gratuitas e serão realizadas através do blog do evento:

Temática: Estéticas Migrantes

A sétima edição do Congresso Internacional Roa Bastos em 2013 apresenta o desafio de desenvolver uma temática contemporânea em tempo de globalização, a partir das estéticas migrantes. Ao experimentar um diálogo entre passado e presente, portanto, entre distintas temporalidades e por considerar as territorialidades como um campo movediço e em transformação na área da cultura, o que pretende com o tema é o desejo implícito de deixar a moldura nacionalista para entender a literatura em movimento, determinada pela operacionalização de categorias que se renovam com as geopolíticas das diásporas, dos fluxos e das configurações de novos gêneros e das subjetividades em trânsito.

Com o tema das estéticas migrantes convocamos à reflexão sobre o fenômeno literário e artístico produzido no deslocamento, de espaços, identidades, línguas e formas simbólicas. Tratar-se-á do errar que caracteriza a contemporaneidade, na freqüentação de formas culturais diversas, das migrações econômicas e dos exílios políticos, e os rastros de violência e dor que deixam, e também, dos deslocamentos que deram forma a um século XX marcado por várias figuras da fuga. O escopo deste encontro de reflexão e diálogo entre pesquisadores e estudantes se constitui na análise dos indícios que itinerários e encontros deixam nas expressões culturais, e que contribui para a criação de espaços descentrados e formas de grande originalidade.

Na próxima circular  informaremos a programação definitiva e indicaremos os hotéis e pousadas na região.

Para entrar em contato com a organização do Congresso escreva para: esteticasmigrantes@gmail.com

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Diálogo com Augusto de Campos

Por Edson Cruz
Em 15/08/2012




A poesia é de longe a linguagem de maior potência de significação – “a mais condensada forma de expressão verbal”, no dizer de Pound –, e não é de espantar a variedade de leituras, de idiossincrasias, de práticas que permeiam a poética contemporânea e, evidente, a sua recepção. Tão diversas como o são os próprios seres e seus interesses.

O poeta e editor Edson Cruz instigou a possibilidade dessa reflexão e constatação convidando poetas de várias linhagens e calibres a refletirem sobre o fazer poético e as referências fundamentais para o trabalho de cada um deles.

O resultado transformou-se em livro que é o mote para os diálogos que a Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura tem oferecido (todo o último domingo do mês) desde maio de 2012.

A cada encontro, um grande poeta em atividade fala sobre sua visão de poesia, sobre suas influências, sobre a recepção de seu trabalho e o mercado editorial, além de responder a questões do mediador e do público presente.

Pra iniciar o projeto, em 27/05/2012, nada mais nada menos do que o “soulman” da poesia contemporânea brasileira: AUGUSTO DE CAMPOS.

Foi uma verdadeira aula magna de poesia, um diálogo descontraído e informado sobre a trajetória deste que é um dos principais poetas brasileiros de todos os tempos.











Fonte: MUSA RARA

Humberto Barros lança parceria virtual

A poetisa e cronista mineira Helena de Oliveira escreveu um texto nas redes sociais que despertou a atenção do cantor e compositor Humberto Barros. Curiosamente, o texto encontrava-se com uma melodia na qual Humberto trabalhava naquele exato momento em que lia.

E ele conta um pouco mais:

“A história dela começa nos tempos de MySpace… A Helena tinha uns dezesseis anos, apareceu no myspace, me mostrou uns textos incríveis, demonstrou interesse no som que eu postava lá, nos clipes… e assim foi… sumiu. Ela lá em BH eu por aqui no Rio. E um dia, no twitter, a reencontrei.”

Daí nasceu “Ultrapassar os tempos”, com Maurício Almeida no baixo e guitarra power cords e Marcelo Vig na Bateria. Humberto Barros assume Guitarras, violão, piano Wurlitzer, orgão TX-5, Synths e voz.


Há um momento aqui em que a imagem não ilude
O sinal do tempo está à frente
A memória risca, mas não fere

Os tipos, trejeitos , as figuras
O que se vende é o que se compra
Tudo aqui se oferece
E você está para esquecer
Continuar e amanhecer
É preciso ultrapassar os tempos
Lavar a sua própria roupa
Ser duro e sonhar no abrigo das palavras
Criar aquilo que nunca foi

Cada pausa exige uma licença
Desajustar o teu relógio
Ser aquilo que a vida quis
Maturidade é para os outros

Quero ter a possibilidade
Além das lentes de aumento
Dos ópios e de mais neon
Tempo em moradia….tempo bom

É preciso ultrapassar os tempos
Lavar a sua própria roupa
Ser duro e sonhar no abrigo das palavras
Criar aquilo que nunca foi


Fonte: CARACTAGS

Nando Lima apresenta ‘’O coração na curva de um rio’’


O ator, diretor, cenógrafo e pesquisador Nando Lima apresenta “O coração na curva de um rio”, performance de 35 minutos, resultado do projeto que recebeu a Bolsa de Pesquisa de Criação e Experimentação Artística do Instituto de Artes do Pará. O próprio Nando Lima está em cena, com desenho de som de Leo Bitar e assistência de produção de Lenilsom Farias.

Após meses de um longo processo de pesquisa que envolveu leituras de livros, jornais e publicações antigas, viagem para captação de imagens e áudios, e um seminário, “O coração na curva de um rio”, finalmente tem sua primeira fase finalizada e concretizada na performance que já foi mostrada ao público na semana passada, tem sessões nos dias 15 e 16 de dezembro, próximos sábado e domingo, no Espaço Reator, sempre às 20 horas, com entrada franca.

A performance traz como sujeito marcante o vídeo que revela imagens captadas ao longo da pesquisa. A equipe viajou até o Marajó, refazendo a viagem de 40 anos atrás feita pelo navio Presidente Vargas, que naufragou na baía. Chegando em Soure, os aspectos mais marcantes da cidade foram registrados por Nando e Leo Bitar: largas avenidas, o Farol na praia “Do mata fome” e principalmente o antigo trapiche da cidade. Há ainda algumas imagens de Belém ao longo do porto, da silhueta da cidade moderna, os vilarejos ribeirinhos, e também o cotidiano atual do transito fluvial.

Para Nando tudo isso foi uma forma de revisitar sua memória, sempre voltada a cores e formas para a construção de sua arte. Diferindo-se do mero registro documental, estes vídeos tem a intenção de traduzir para o espectador o olhar e a memória do artista filtrados ao longo dos anos.

“Diferente da questão do espetáculo teatral voltado ao  drama, o que pessoas vão ver são sequências de imagens e pequenas ações complementando estas paisagens. Não há a intenção de dramatizar ou elucidar o drama ou o fato histórico ou qualquer um outro fato que localize um  lugar, Soure ou Belém. Isto tudo soma com  a ideia do sensorial, ligado a questão das artes visuais”, conta Nando.

Serviço
 “O coração na curva de um rio”
performance de Nando Lima,

Data:  15 e 16 de dezembro - sábado e domingo
Hora: 20h
Local: Reator
End.: Rua 14 de abril, 1053 (próx. Gov. José Malcher)
Informações: (91) 8112-8497
Entrada franca


Fonte: GUIART

LIA SOPHIA COMEMORA O SUCESSO DE 2012 NESSE SÁBADO, COM O BAILE “BREGA CHIC”


Nascida na Guiana Francesa, Lia Sophia morou em Macapá e aos 17 anos chegou em Belém com o objetivo de cursar Psicologia. Esse momento foi a primeira vez que Lia entrou em contato com a música popular brasileira, diga-se de passagem, da melhor maneira possível, através dos CDS de João Gilberto e Marisa Monte. A paixão foi imediata! Lia Sophia conhecia então a MPB, sem saber que mais tarde a MPB conheceria Lia Sophia.

Apesar de ter vindo de uma família de músicos, a cantora relutou em abraçar a carreira musical. Foi na capital paraense, como forma de se manter financeiramente, que Lia deu os primeiros passos na carreira artística. Depois de formar um público fiel, em 2005 grava o seu primeiro disco intitulado “Livre”, no qual a faixa autoral “Eu só quero você” tornou-se uma das músicas mais pedidas nas rádios de Belém e que também virou objeto de campanhas publicitárias.
Três anos depois gravou o CD “Castelo de Luz”, com 13 faixas autorais, em que Lia revela toda a sua face artística e compõe, canta, toca e assina arranjos e co-produção. O disco consolidou a vertente compositora da artista e para Edgar Augusto “Trata-se de um dos melhores álbuns paraenses de música pop que já escutamos nos últimos anos... Um Castelo de Luz dos mais iluminados.” Edgar Augusto (Jornalista e crítico musical) – Fonte: Diário do Pará 14/06/09.

O passo seguinte foi o mais ousado dos discos lançados até o momento. O disco “Amor, Amor”, com releituras de clássicos da música brega nortista dos anos 70 e 80 que fazem a trilha sonora dos bailes da saudade. Lia diz “que esta é uma volta ao passado com um olhar de agora”. Responsável pela direção artística do disco, a cantora misturou influências eletrônicas mais modernas da música brasileira com os ritmos mais regionais da sua vivência nortista. Com o quarto disco, que deverá se chamar “Lia Sophia” ao invés do projeto inicial “Salto Mortal”, em fase final de produção, Lia pretende trazer ritmos que representem a latinidade amazônica de maneira moderna, misturando com o já tradicional carimbó, guitarrada e zouk. No disco devem estar presentes as faixas “Ai, Menina” (música presente na trilha da novela Amor Eterno Amor), “Salto Mortal” e “Amor de Promoção”.

No próximo sábado (15 de dezembro), Lia Sophia encerra 2012 com o Baile Brega Chic. Entre os convidados teremos Arraial do Pavulagem, Mahrco Monteiro e Alberto Moreno. O objetivo do baile, que chega à sua 8º edição, é mostrar um pouco da mistura de ritmos e sonoridades que marca a música feita no Pará.

Serviço:
8º Baile Brega Chic, sábado, 15, às 22h, no Espaço Fronteira, localizado na Municipalidade 488. Ingressos à venda no local. Informações: 8119-8733.


Texto: Wellington Rocha - Consultor Externo do blog Grupo de Pesquisa EELLIP | UFPA - João Guimarães Rosa: arquivo & debates na Amazônia.