segunda-feira, 5 de agosto de 2013

VI SEMINÁRIO ROSIANO

O SEMINÁRIO ROSIANO

O Seminário Rosiano é um evento promovido e organizado, desde 2008 até o momento, pelo projeto de pesquisa Estudos Estético-Recepcionais acerca da Literatura em Língua Portuguesa (EELLIP), coordenado pelo Prof. Dr. Sílvio Holanda. Durante este período, diversas parcerias acadêmicas com docentes de outras instituições, como as professoras Marli Fantini e Claudia Soares, ambas da UFMG, além das professoras Maria Célia Leonel (UNESP/Araraquara) e Neuma Cavalcante (UFC), foram consolidadas.

No âmbito da pesquisa científica no Estado do Pará, em 2013, a proposta do VI Seminário Rosiano volta-se para a consolidação de um espaço de divulgação da produção acadêmica local e oferece uma programação que conta com a presença de pesquisadores de excelência acadêmica de instituições locais e da UFPA.

O Seminário Rosiano está diretamente vinculado ao curso de Mestrado em Letras da Universidade Federal do Pará (UFPA), contando, além dos docentes, com significativo número de alunos da Graduação e Pós-Graduação stricto sensu, que tem a oportunidade de apresentar e discutir suas ideias e projetos com pesquisadores exponenciais em suas áreas de atuação.

Enfim, o conjunto de atividades realizadas durante o evento, que conta também com a participação de campi do interior (Abaetetuba, Bragança e Castanhal), é de grande relevância para a pesquisa na área de Letras e Linguística e para a formação qualitativa de profissionais especializados.



O VI Seminário Rosiano ocorrerá nos dias 08 e 09 de Agosto de 2013 na sala 09 do prédio da Pós-graduação em Letras com inscrições GRATUITAS e com emissão de CERTIFICADOS para os participantes.

Obs: Qualquer informação adicional de mudança de local ou programação será comunicada neste blog.




PROGRAMAÇÃO

08.08.2013 (Quinta-feira) 
Manhã 
08:00 às 09:00 ― Sala 09 do Mestrado 
Credenciamento 

09:00 às 10h:00 ― Sala 09 do Mestrado
A obra de arte e o pensamento poético-originário
Palestrante: Prof. Dr. Antônio Máximo

10:00 às 10:15 — Intervalo 

10:15 às 12:00 ― Sala 09 do Mestrado
Sessão de comunicações 1: Pesquisas rosianas no âmbito do Mestrado em Letras 
Coordenador: Leonardo Castro da Silva (UFPA) 

  • Raphael Bessa Ferreira (UEPA) -  Memória, Luto e Ressignificação na obra rosiana.

  • Felipe Bruno Silva da Cruz (UFPA) – As rosas de Lispector e a margem de Rosa 

  • Leomir Silva de Carvalho (ALHAMBRA) - A experiência tradutória de Angel Crespo em Gran sertón: veredas 

  • Leonardo Castro da Silva (UFPA) – A “política do ser” e a crônica rosiana do terror 

  • Márcia Denise Assunção da Rocha (ASLAN) – O herói demoníaco em Grande sertão: veredas 

  • Suellen Cordovil da Silva (UFPA) – Recepção crítica da tradução americana de Grande sertão: veredas 

TARDE 

14:00 às 18:00 ― Sala 09 do Mestrado
Minicurso: Aspectos da prosa brasileira contemporânea / Aspetti della prosa brasiliana contemporânea (Arquivo Benedito Nunes). 
Prof. Dr. Sílvio Holanda (UFPA) 

09.08.2013 (Sexta-feira) 

Manhã 
09:00 às 10:00 ― Sala 09 do Mestrado
Representações da Alemanha nazista em Guimarães Rosa 
Prof. Dr. Sílvio Holanda (UFPA) 

10:00 às 10:15 — Intervalo 

Sessão de comunicações 2: Pesquisas rosianas no âmbito da Iniciação Científica 
10:15 às 12:00 ― Sala 09 do Mestrado
Coordenador: Leonardo Castro da Silva (UFPA) 


  • Brenno da Costa Carriço Oliveira (UFPA) – Lalinha ou o corpo da linguagem como a experiência do limite 

  • Francisco das Chagas Ribeiro Júnior (UFPA) – A transmutação do paraíso: o "enfeite" e o belo poço parado de Buriti Bom 

  • Pablo Rossini Pinho Ramos & Jean Marcos Torres de Oliveira (UFPA) – “Saudades de destino”: Lélio, o sertanejo itinerante e desejante 

  • Wellington Diogo Leite Rocha (UFPA) – “Viver é algo muito perigoso”: viagem e modernidade em “O recado do morro’” 

TARDE 
14:00 às 18:00 ― Sala 09 do Mestrado
Minicurso: Aspectos da prosa brasileira contemporânea / Aspetti della prosa brasiliana contemporânea (Arquivo Benedito Nunes). 
Prof. Dr. Sílvio Holanda (UFPA) 


AS INSCRIÇÕES DO SEMINÁRIO ROSIANO SERÃO GRATUITAS E DEVEM SER FEITAS NA SALA 3 (LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS DA LINGUAGEM — UFPA). OBS: AQUELES QUE NÃO FIZEREM A SUA INSCRIÇÃO PREVIAMENTE DEVEM ASSINAR (NOME COMPLETO + E-MAIL) AS LISTAS DE FREQUÊNCIA NOS DIAS EM QUE O EVENTO FOR REALIZADO.

Para mais informações: Email: eellip.ufpa@gmail.com

Sala 3 (Laboratório de Ciências da Linguagem — UFPA)

Seleção Mestrado e Doutorado em Letras

A Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESP) e do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), torna público que estarão abertas, entre os dias 04/11/2013 a 18/11/2013, no horário das 9:00h às 11:30h e das 14:30h às 17:00h, as inscrições para selecionar candidatos para ingresso no Curso de Mestrado e Doutorado Acadêmico em Letras: Estudos Linguísticos e Estudos Literários.

Para mais informações clique aqui.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A arte do tropeço em Kafka e em Baudelaire

Ao chegar à Tenda dos Autores para a mesa “A vida moderna em Kafka e Baudelaire”, na tarde desta sexta (5), o público encontrou sobre cada cadeira um folheto com textos dos dois escritores. O primeiro, A Perda da Auréola, traz um diálogo de Baudelaire em que um personagem conta ao outro como perdeu sua auréola, ao desviar bruscamente de um carro para não ser atropelado. No outro, um rei à beira da morte encarrega um súdito de entregar uma mensagem – mas este personagem, como tantos outros de Kafka, se vê diante de obstáculos infinitos, que tornam sua tarefa impossível.


Essa pequena amostra da obra de ambos já era um ponto de partida para a fala da professora de filosofia Jeanne-Marie Gagnebin, nascida na Suíça e radicada no Brasil desde 1978. Considerada uma referência no país no estudo das ideias do filósofo alemão Walter Benjamin, ela se apresentou ao lado do italiano Roberto Calasso, editor da consagrada Adelphi e autor de livros como K, sobre Kafka, Ka, sobre mitologia indiana, e A Folie Baudelaire.

Jeanne-Marie destacou nos dois textos selecionados alguns elementos que mostravam por que Kafka e Baudelaire representam uma virada na nossa concepção da modernidade. Um deles é a superação da ideia de que um caminho reto, ainda que lento, poderia nos levar a um alvo certeiro: o progresso. Em vez disso, há algo a que a pesquisadora se refere como “tropeço”. 

“Em Kafka, é como se ele não soubesse nos transmitir uma mensagem, e nos falasse sobre essa dificuldade de transmissão”, comentou Jeanne-Marie. “Esses são textos que nos mostram o quanto os desvios são importantes (talvez mais que os caminhos certos) até o lugar que visamos desde o início. Você não sabe aonde vai, pode tropeçar, pode nunca chegar; no entanto, vai.”

Já Calasso, depois de ler um trecho de Folie Baudelaire, buscou a semelhança entre os dois escritores por outro caminho. “Eles aparentemente não têm nada em comum, mas de perto percebemos que têm uma característica muito rara e essencial. Se você lê Baudelaire, é inevitável se sentir imediatamente envolvido, aquilo te diz respeito. Algo semelhante aparece em Kafka, como um vórtice do qual você não consegue sair antes de terminar o livro. Eles apenas têm isso em comum com Nietzsche. Você pode odiá-lo ou amá-lo, mas se sentirá imediatamente atingido.”

A figura do narrador nos textos de Kafka e Baudelaire também forneceu aos convidados material para outras análises. Segundo Jeanne-Marie, é fácil encontrar nos textos de ambos, assim como nos de Proust, vários disfarces por meio dos quais o narrador pode ser um anônimo, quase uma máscara. “O ‘eu’ de Proust é uma palavra que diz respeito a todos nós e não identifica nada específico. É um processo de desidentificação na escrita que permite, ao mesmo tempo, escrever.”

O comentário remeteu Calasso a um período em que deu aula em Oxford, onde estão guardados manuscritos de Kafka. “Na capa da edição italiana de K, há uma ampliação de um ‘K’ do manuscrito de O Castelo sobreposta a um Ich, um eu apagado. Isso certamente diz respeito ao que Jeanne-Marie disse: esse ‘K’ que vai além de qualquer ‘eu’.”

Foi por meio desses manuscritos, aliás, que Calasso diz ter chegado a outra dimensão de Kafka. “Assim como Baudelaire, ele era dotado de uma antena metafísica”, comentou o editor, mencionando em seguida aforismos escritos em 1917 pelo autor de A Metamorfose. “Nesses aforismos, ele fala umas cinco ou seis vezes de paraíso, e esses são os mais difíceis de entender. O mais difícil é uma frase em que ele diz que nós sempre estamos no paraíso, mas uma conjunção cósmica nos impede de perceber isso. E aí entra a culpa. A culpa não veio, como a Bíblia diz, por se ter comido a maçã da árvore do conhecimento. A verdadeira culpa é por não se ter comido o fruto da árvore da vida. Se quisermos entender os romances, precisamos partir daí, da sutileza de Kafka. É o pensamento sobre o que é, para além do moderno, do antigo, do total ou do não-total. É algo que tenta tocar o que é.”

Jeanne-Marie, por sua vez, discorda da corrente que identifica em Kafka elementos metafísicos ou religiosos. “Acho que tem algo em Kafka que resiste à ideia de comunidade religiosa no sentido de que ‘estamos são e salvos juntos’. Mas ele pensa no paraíso, como Calasso citou, o que acho maravilhoso e também poético. E vai dizer que fomos expulsos do paraíso e não voltamos por causa de nossa impaciência. Pela pressa que nos condena tantas vezes a dizer e fazer besteiras. Essa ênfase na paciência, que também é benjaminiana, talvez seja religiosa, porque Deus precisa ter paciência conosco.”

Prêmio Sesc de Literatura 2013 - Inscrições abertas



Estão abertas as inscrições para as categorias Romance e Conto da edição 2013/2014 do Prêmio Sesc de Literatura. Serão aceitas obras destinadas ao público adulto e escritas por maiores de 18 anos. Além da divulgação, o prêmio abre uma porta do mercado editorial aos estreantes: os livros vencedores são publicados e distribuídos pela editora Record. Inscrições até 31 de julho pelo site www.sesc.com.br/premiosesc.

Fonte:Estadão

Bate-papo com os principais autores presente na FLIP

A edição 2013 da FLIP (Festa Literária de Paraty) traz novidades para todos, sem exceção. Desta vez, o Brasil inteiro terá a chance de acompanhar entrevistas e bate-papos com autores convidados por meio de Hangouts On Air do Google. Para ter acesso às chamadas online basta acessar a página da FLIP no Google+, entre 3 e 7 de julho.

Além da transmissão, uma coleção de livroscom as obras do homenageado desta edição, o escritor Graciliano Ramos, estarão disponíveis para conhecimento (e compra) de todos. Deste modo, aqueles que estiverem acompanhando a feira via internet não deixarão de conferir as obras abordadas.

Estarão presentes na FLIP 2013 nomes como Milton Hatoum, Bruna Beber, Francisco Bosco, Nicolas Behr, Zuca Sardan, Wander Melo Miranda e Mamede Jarouche. Quem quiser enviar perguntas para algum dos entrevistados basta utilizar a hashtag #GooglePlayNaFlip no próprio Google+.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

VI SEMINÁRIO ROSIANO FOI ADIADO PARA OS DIAS 8 E 9 DE AGOSTO

Em virtude de problemas de caráter operacional e de ensino (coincidência com período de avaliação), informamos que o VI Seminário Rosiano foi transferido para o mês de agosto próximo, dias 8 e 9.

Desculpem pelo transtorno e obrigado pela compreensão.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A decisão do CONSEPE/UFPA quanto à adoção do ENEM e a morte do ensino de Literatura no Ensino Médio

Após a decisão do CONSEPE/UFPA quanto à adoção do ENEM (apesar das inúmeras falhas, vazamentos de questões, correções estranhíssimas, minimização da Literatura, monocentrismo pedagógico, falhas de concepção e outros males) está declarada a morte do ensino de Literatura no Ensino Médio. Quem sentirá, realmente, falta desse ensino? Os alunos de Letras ou de História? Em nome de um exame monocrático, supostamente republicano e democrático, é chegada a hora de lançar a última pá de cal sobre o cadáver da Literatura. Para que se ensinar tanto conteúdo regional em Ciências Humanas? Por que abrir tanto espaço para a Cabanagem ou Max Martins? Por que um aluno de Porto Alegre que pretenda estudar em Belém precisa conhecer Marques de Carvalho? Observe-se a omissão do ENEM quanto à Literatura Portuguesa, muito distante e transatlântica para permitir partir do princípio simplório de ensinar "a partir da realidade do aluno". A Educação deveria, antes, negar a realidade (em geral opressiva, excludente, injusta) do aluno. Em nome do combate à dicotomia língua/literatura, anula-se a diferença ontológica entre ambas: uma determinada forma linguística documenta certo aspecto da língua falada, não se pondo em questão a sua dimensão estética, mas sim funcional. Assim, não se justifica pensar que o estudo de um poema faz parte da língua portuguesa em uso (os famigerados parâmetros nacionais); na verdade, a língua é um entre vários elementos mobilizados pelo artista. Eu lamento que isso ocorra sem nenhuma discussão interna, nas bases políticas que sustentam a Universidade. Uma aluna de Letras (!) declarou que a Literatura "não serve para nada". É, talvez, ela tenha razão e seja eco de um consenso medíocre do qual ouso discordar.

Texto: Prof. Dr. Sílvio de Oliveira Holanda.